22/09/1897: Morre Antônio Conselheiro

Antônio Conselheiro

No dia 22 de setembro de 1897 morre Antônio Conselheiro.

Nascido em 1830, em Quixeramobim, interior do Ceará, Antônio Vicente Mendes Maciel — mais conhecido como Antônio Conselheiro — sempre teve uma forte ligação com a religião cristã e, após perder uma parte de sua família, começa um processo de peregrinação pelo nordeste, sobretudo pelos interiores das províncias, pregando uma mistura de cristianismo com sebastianismo e ganhando o título de profeta, assim como o apelido de “Conselheiro”.

Aos poucos Antônio Conselheiro conseguiu com que algumas pessoas — de características humildes, como sertanejos afetados pelas secas e trabalhadores das fazendas maiores — começassem a seguí-lo, conseguindo aglutinar milhares de pessoas em suas pregações, número suficiente para incomodar as autoridades da época, como padres, que perdiam seus fiéis; fazendeiros, que perdiam sua mão de obra; e as autoridades da recente república brasileira (1889), uma vez que Antônio era abertamente monarquista e pregava a volta do regime.

Em 1876, já durante sua peregrinação, Conselheiro foi preso no sertão da Bahia, acusado de matar sua esposa. Por falta de provas foi solto e, ao se reencontrar com seus seguidores, deparou-se com um número ainda maior de pessoas.

Em 1893, nas margens do Rio Vaza-Barris, num pequeno arraial chamado Canudos, no interior da Bahia, Conselheiro decide se estabelecer com seus fiéis e batiza o local com o nome de Belo Monte. A comunidade criada era mantida por todos os moradores e o fruto do trabalho era dividido entre eles. Estima-se que em Canudos viviam entre 15 a 30 mil pessoas no ano de 1896, quando o vilarejo é atacado pelas polícias dos estados nordestinos, que se juntaram na tentativa de acabar com o vilarejo.

Essa primeira invasão daria origem a chamada “Guerra de Canudos”, quando as autoridades brasileiras, em aliança com figuras locais importantes, como fazendeiros e coronéis, decidem acabar com o vilarejo. O conflito durou até 1897, quando, após sucessivos ataques, o exército brasileiro liquidou quase todos os camponeses do local, que lutaram até o último homem de pé.

Antônio Conselheiro morreria no meio do conflito, em 22 de setembro de 1897, sendo que as causas de sua morte variam de morte durante um conflito armado, até diarreia.

A Guerra de Canudos ficaria registrado no livro de Euclides da Cunha, “Os Sertões”. Na época, Conselheiro foi taxado de criminoso e sua figura, demonizada. Hoje, considerando as precárias condições de vida no sertão nordestino e a decepção do povo que esperava uma melhora de vida com a proclamação da república, o messianismo de Antônio Conselheiro é considerado um fenômeno social que resulta numa tentativa de sobreviver ao seu próprio modo, assim como o cangaço.

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