11/09/1973: É dado o golpe militar no Chile

golpe chile 1973

No dia 11 de setembro de 1973 ocorre um golpe militar no Chile liderado pelo general Augusto Pinochet.

O golpe começa a ser planejado com as eleições de 1970, as quais elegeram Salvador Allende como candidato da coligação entre partidos de esquerda , chamada de Unidade Popular (UP).Durante a Guerra Fria (1945 – 1991) — um conflito entre os sistemas capitalista, representado pelos Estados Unidos, e o socialista, representado pela União Soviética —, os Estados Unidos tomavam a linha de frente para impedir que qualquer grupo que tivesse um programa com características de esquerda subisse aos governos latino-americanos, o que resultaria em uma série de golpes militares no continente.

Os trabalhadores da cidade e do campo se organizam e prestam apoio a Allende nas ruas, uma vez que o presidente era impedido de fazer parte do que prometia por não ter maioria no Congresso, que rejeitava muitas de suas propostas. Os trabalhadores do campo começaram a ocupar terras — uma vez que a Lei de Reforma Agrária existia — e os operários, aproveitando a nacionalização das principais indústrias locais e internacionais, tomaram as fábricas e começaram a gerí-las por eles mesmos, sem um “patrão”. Os moradores de bairros populares também se organizaram para o racionamento de comida: compravam-na direto de distribuidoras do governo e a vendiam a preço de custo para a população, uma vez que os comerciantes escondiam produtos para especular, contribuindo com os sucessivos aumentos nos preços.

O empresariado local — representado sobretudo por comerciantes e donos das fábricas ainda não nacionalizadas —, comprovadamente apoiado e financiado pelos Estados Unidos, tentou diversas artimanhas com o objetivo de destituir e desmoralizar Allende, sem sucesso. Com isso, a única alternativa restante era tomar o poder a força.

No dia 29 de junho ocorre uma tentativa de golpe — El Tanquetazo ou El Tancazo — por parte de um regimento do exército, que colocou tanques nas ruas para atacar o palácio do governo, La Moneda. O restante das Forças Armadas não apoia e o levante é rapidamente derrotado, com um total de 22 mortes de civis, incluindo um câmera argentino que filmou a ação e acabou filmando sua própria morte. No mesmo dia, a população vai às ruas reafirmar seu apoio a Allende.

Essa situação leva Allende a colocar mais militares no governo, setor o qual ele acreditava poder confiar. Aqueles que realmente estavam ao lado de Allende eram pressionados e renunciavam, como foi o caso do comandante-em-chefe do Exército, General Carlos Prats, que renunciou e foi substituído por Augusto Pinochet, futuro ditador.

Na madrugada de 11 de setembro uma ação da marinha em Valparaíso dava início ao golpe. A cidade é tomada e, no início da manhã, a informação chega até Allende. Os militares exigiam que o presidente renunciasse ao cargo e deixasse o país até às 11h, caso contrário, o Palácio de La Moneda seria atacado.

Allende decidiu enfrentar os golpistas e, junto com algumas dezenas de soldados leais, permanece no palácio. Os tanques e soldados começaram a chegar em frente ao palácio que, às 11h, é bombardeado. Ao invadirem o local, os militares se deparam com Allende que, neste momento, comete suicídio — apesar dessa ser a versão oficial, alguns afirmam que o presidente foi assassinado. 

“Colocado em uma transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E os digo que tenho a certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser cegada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Superarão outros homens nesse momento cinza e amargo onde a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.”

Última declaração de Salvador Allende ao povo, em 11 de setembro de 1973.

Na cidade, centenas de trabalhadores que tentaram resistir foram reprimidos e uma junta provisória tomou o poder. A partir de 1973 o Chile vive uma ditadura militar sob o comando de Augusto Pinochet, que duraria até 1990 e ficaria conhecido por suas perseguições aos integrantes da Unidade Popular, pela cassação dos partidos integrantes desta, pelo assassinato, tortura e desaparecimento de milhares de pessoas e pela política econômica que implantou reformas neoliberais, responsáveis pelo aumento da desigualdade social e que — uma vez que não foram revertidas — deixam marcas no povo chileno até hoje.

O processo das eleições até o golpe de 1973 seria filmado e transformado em documentário.

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