09/08/1995: Ocorre o massacre de Corumbiara

Massacre de Corumbiara

No dia 9 de agosto de 1995 ocorre o massacre de Corumbiara.

Em 1995 cerca de 600 famílias sem-terra ocuparam um pequeno pedaço da fazenda de Santa Elina, no sul de Rondônia para sobreviverem da agricultura familiar. A terra tinha entre 18 e 20 mil hectares e estava no nome de Hélio Pereira de Morais, que, por sua vez, recebeu-a do governo durante a Ditadura Militar (1964 – 1985).

O vizinho da fazenda, Antenor Duarte do Vale — latifundiário já acusado de praticar trabalho escravo —, começou a exigir uma reintegração de posse da terra, ou seja, exigir uma expulsão das famílias do local. Iniciou-se uma negociação, mas as famílias, sem ter para onde ir, não quiseram sair do local e a polícia os deixou sem uma resposta clara do que iria acontecer.

Na madrugada do dia 09 de agosto os assentados foram surpreendidos por diversas bombas de efeito moral e por tiros. Os Policiais Militares e pistoleiros que estavam invadindo o acampamento usavam máscaras ou tinham as caras pintadas. Nove sem-terra — incluindo uma menina entre 6 e 9 anos —, dois policiais e um homem não identificado morreram. Os sobreviventes afirmam que ocorreram sessões de espancamento após o massacre e que inúmeras pessoas desapareceram, contestando, portanto, o número de mortos.

Na versão da polícia, desde o início houve um confronto: os sem-terra possuiriam “atiradores de elite” e teriam armado uma emboscada para a polícia, que, por sua vez, teria ido de “coração aberto para negociar”. As famílias não negam que haviam armas, mas afirmam que eram armas camponesas e que não poderiam ferir ninguém.

300 trabalhadores foram presos e o acampamento, queimado. Alguns afirmam que o ato foi para apagar as provas da chacina e inocentar os policiais, o que de fato aconteceu: dos mais de 190 policiais que participaram da operação, 20 foram denunciados e 3 foram condenados. Dois sem-terra foram, sem provas, condenados, tendo um atualmente já cumprido sua pena.

O governo do estado fez “vista grossa” para o caso e reafirmou a versão dos policiais. O então governador, Valdir Raupp (PMDB), evita dar declarações sobre o caso pois, em suas próprias palavras, não fala sobre nada que prejudique sua imagem.

No fim, Hélio Pereira de Morais conseguiu a pequena parte de sua terra de volta e as famílias até hoje não conseguiram uma indenização pelo ocorrido. Esse acontecimento era o primeiro do tipo depois do fim da Ditadura e daria margem para muitos outros.

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